Quando botamos a cara para fora do quarto deparamos com a chuva do Oceano Pacífico que parecia ter vindo para afogar nossos anseios. Tomamos um café da manhã mais uma vez regado de café ralo e sanduíche de ovo com bacon e torradas para aguentar mais uma empreitada de 14 horas de trabalho pensando o que iríamos fazer. O barco com as mulheres já havia partido, como iríamos fazer para gravar em baixo de chuva, tentamos ligar para Lani e nada, todos reclamam do sinal da ATM na ilha.
Resolvemos protelar um pouco. Fomos para o escritório do Jack. Seu telefone não parava de tocar, todos queriam saber o motivo da manchete do jornal local: “Dive Bomb - Bikini Closes Up”. O único avião da Air Marshall, que levava os mergulhadores e passageiros para o Atol de Bikini havia quebrado e não iria mais operar para Bikini, depois de 13 anos de atividade na ilha. “Top 50 Worldwide Islands Escapes”, o mergulho em profundidades de 50/60 metros no Atol, é brilhante. Para quem gosta de raridades, lá os testes nucleares em Bikini em meados de 1946 afundaram o único porta-aviões possível de se ver em baixo d’água no mundo, o USS Saratoga, além de aviões, fragatas e dezenas de outras embarcações até hoje intactas por estarem distantes de tudo e de todos, isolado no meio do Oceano Pacífico com uma flora, uma fauna e uma visibilidade que poucos azuis no mundo têm.
Mas vamos voltar às mulheres de Bikini; 3 da tarde fomos para o porto, o barco já nos esperava há mais de duas horas e a chuva vinha e parava. Pensamos, pensamos e ... vamos nessa!!! Não viajamos três dias direto para desistir por causa de um toró desses, nós iríamos nem que fosse para comer o churrasco com as "meninas".
Embarcamos com nossas super-capas de chuva providenciadas pela produção. Ainda na nossa bagagem: 2 rolos de magicpack(filme plástico), papel toalha para secar a lente, sacos de lixo e muita água, além de todo o equipamento devidamente embalado. A navegação foi tranquila, o barco era muito estável, só as rajadas de vento e a chuva na cara que atrapalhavam um pouco conhecer essa região longínqua do mundo, que desde minha infância habitava minha memória devido às histórias que meu pai contava sobre as aventuras do barco Kon Tiki (que cruzou em 1947 o Pacífico até a Polinésia, imitando os conquistadores da região que vieram de canoa do Havaí).
Bom, ao chegarmos à ilha, todas já estavam reunidas em seus bangalôs, nos esperavam com um pouco de mau-humor. Douglas, o fotógrafo sozinho no meio da mulherada, não sabia o que fazer com tantas Bikinians. Tínhamos que ser rápidos com o recorde, poderia começar a chover a qualquer minuto, o céu estava cinza-chumbo no horizonte, o que dava ao turquesa do mar um tom especial e o verde da terra dos “muitos cocos” cintilava. Corremos com o equipamento e começamos a chamar todas as mulheres.



