
Em sentido horário: foto 01 - nosso atual chão são as nuvens ; foto 02 - Michelini Bernadini, a primeira mulher a usar a Bikini em 46 na França, criação do engenheiro Louis Réard; foto.03 - voando sobre o pacífico em direção ao Atol de Majuro (Rep. of Marshall Islands).
Chegamos em Majuro Atol, um pequeno anel de recifes de coral, boiando no meio do Oceano Pacífico, O país: Republic of Marshall Islands. Um complexo de pequenas ilhas e atóis que compõe essa república esquecida no meio da Micronésia. Atol de Bikini é o motivo de nossa visita, nosso filme veio saber um pouco mais sobre a etimologia dessa palavra que significa: “Terra dos muitos cocos”. Dizem que quando chegaram aqui alguns polinésios, remando suas canoas, avistaram essa linha de coqueirais no horizonte e, desde então, passaram a depender dessa fruta para tudo: comer, produzir óleo e utilizar sua folhas e fibras para vestuário, cestaria, telhados etc. Desde 1946, quando os americanos decidiram fazer os testes nucleares por aqui a população de Bikini foi exilada em ilhas vizinhas e até hoje não pode retornar para sua terra natal e a “Terra dos muitos cocos” permanece isolada por sua radioatividade e seus cocos tem uma quantidade de Césio que não permite mais que seus moradores consuma a fruta. A única atividade existente no Atol de Bikini era o mergulho profundo a 50, 60 metros, para visitar as dezenas de navios, submarinos e aviões que foram deixados pelos americanos para a realização dos testes e que até hoje permanecem intactos no fundo do mar.
Coincidentemente, no dia em que chegamos aqui, as atividades no Atol foram suspensas por problemas com o único hidroavião que fazia esse trajeto e que definitivamente não iria mais operar. Isso deixa o nosso entrevistado/personagem: o americano Jack Niedenthal profundamente frustrado depois de 12 anos de luta pelas causas dos Bikinians, que até hoje não podem voltar para a ilha. Mergulhador, casado com uma habitante de Bikini, pai de 6 filhos, Jack nos conta que o mergulho hoje representava a única porta de entrada no Atol e que o fim das operações deixa mais uma vez Bikini isolado de de seus habitantes e do mundo.

Nossa equipe, que é composta dos alemães Albert Knetchel (diretor/roteirista), Sylvestre Campe (diretor de fotografia) e do carioca Pedro Sá (operador de áudio), já está com a bunda calejada de tantas horas de voo e a primeira coisa que fizemos quando chegamos por aqui foi comer um belo atum fresco com saussa de limão e arroz que nos deixou extasiados depois de tantas horas e refeições de avião, viajamos com 12 malas muito pesadas com todo nosso equipamento HD, iluminação, microfones, baterias, acessórios e penduricalhos que uma equipe de documentário deve arrastar consigo, sem contar com a câmera e nossas malas de mão com equipamentos mais frágeis que sempre vão dentro da aeronave conosco e que provocam curiosidade em todas as duanas que passamos, onde sempre somos revistados e desmontados nos mínimos detalhes.

Essa é minha primeira experiência participando da equipe de direção de um documentário internacional, portanto fico sempre muito atento a todos os detalhes do processo de criação e execução de um projeto dessa dimensão, participando ao máximo, aprendendo muito com a experiência do Albert e do Sylvestre, muito envolvido com todos os detalhes. Estou realmente muito feliz.

Ejie, pequena ilha próxima a Majuro é onde vive a maioria dos habitantes exilados de Bikini, em nossas primeiras horas no Atol fomos visitar essa ilha e ver como vivem os ex-moradores do Paraíso. Deve ser realmente difícil saber que os seus ancestrais viviam em um atol maravilhoso e que hoje sua população está despatriada e espalhada pelas ilhas Marshall.





