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Revolução do Biquini

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Confirmou!!! TV Cultura exibe Revolução do Biquini

Se você leu os depoimentos do diretor Kiko Ribeiro sobre as gravações do documentário "Revolução do Biquini" (Bikini Revolution) nos posts anteriores, vai gostar dessa notícia: o programa Especial Cultura, que vai ao ar às 23h na TV Cultura, exibe hoje o filme na íntegra.

"Revolução do Biquini" celebra um ícone mundialmente conhecido e convida o espectador a voltar ao tempo e descobrir a origem desta “bomba atômica”, como foi batizada por seu criador, o engenheiro francês Louis Réard, ao se referir sobre os testes nucleares realizados pelos norte-americanos no atol de Biquíni, nas ilhas Marshall.

Entre as entrevistas estão a da pin-up norte-americana e fotógrafa Bunny Yeager (hoje com 79 anos de idade), que causou sensação ao ser a primeira a usar biquíni nas praias de Miami, na Flórida. Outro personagem interessante é o especialista em biquínis Judson Rosebush, que trouxe para a peça um olhar científico. Estudioso sobre o assunto, ele possui em sua casa mais de mil biquínis, além de várias fotos de modelos em roupa de banho em lugares inesperados.
 
O filme vai além do mundo da moda, transitando ainda nos universos da música e da política. Sob este último aspecto, o documentário traça um paralelo entre a evolução do biquíni e a população de Biquíni que vive hoje exilada em outros atóis das ilhas de Marshall.

Então programe-se para esquentar sua noite de inverno com nosso documentário digno de verão ensolarado. Boa sessão!

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Revolução do Biquini

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3º dia em Majuro - Republic of Marshall Islands

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Quando botamos a cara para fora do quarto deparamos com a chuva do Oceano Pacífico que parecia ter vindo para afogar nossos anseios. Tomamos um café da manhã mais uma vez regado de café ralo e sanduíche de ovo com bacon e torradas para aguentar mais uma empreitada de 14 horas de trabalho pensando o que iríamos fazer. O barco com as mulheres já havia partido, como iríamos fazer para gravar em baixo de chuva, tentamos ligar para Lani e nada, todos reclamam do sinal da ATM na ilha.

Resolvemos protelar um pouco. Fomos para o escritório do Jack. Seu telefone não parava de tocar, todos queriam saber o motivo da manchete do jornal local: “Dive Bomb - Bikini Closes Up”. O único avião da Air Marshall, que levava os mergulhadores e passageiros para o Atol de Bikini havia quebrado e não iria mais operar para Bikini, depois de 13 anos de atividade na ilha. “Top 50 Worldwide Islands Escapes”, o mergulho em profundidades de 50/60 metros no Atol, é brilhante. Para quem gosta de raridades, lá os testes nucleares em Bikini em meados de 1946 afundaram o único porta-aviões possível de se ver em baixo d’água no mundo, o USS Saratoga, além de aviões, fragatas e dezenas de outras embarcações até hoje intactas por estarem distantes de tudo e de todos, isolado no meio do Oceano Pacífico com uma flora, uma fauna e uma visibilidade que poucos azuis no mundo têm.

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Mas vamos voltar às mulheres de Bikini; 3 da tarde fomos para o porto, o barco já nos esperava há mais de duas horas e a chuva vinha e parava. Pensamos, pensamos e ... vamos nessa!!! Não viajamos três dias direto para desistir por causa de um toró desses, nós iríamos nem que fosse para comer o churrasco com as "meninas".

 

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Embarcamos com nossas super-capas de chuva providenciadas pela produção. Ainda na nossa bagagem: 2 rolos de magicpack(filme plástico), papel toalha para secar a lente, sacos de lixo e muita água, além de todo o equipamento devidamente embalado. A navegação foi tranquila, o barco era muito estável, só as rajadas de vento e a chuva na cara que atrapalhavam um pouco conhecer essa região longínqua do mundo, que desde minha infância habitava minha memória devido às histórias que meu pai contava sobre as aventuras do barco Kon Tiki (que cruzou em 1947 o Pacífico até a Polinésia, imitando os conquistadores da região que vieram de canoa do Havaí).

Bom, ao chegarmos à ilha, todas já estavam reunidas em seus bangalôs, nos esperavam com um pouco de mau-humor. Douglas, o fotógrafo sozinho no meio da mulherada, não sabia o que fazer com tantas Bikinians. Tínhamos que ser rápidos com o recorde, poderia começar a chover a qualquer minuto, o céu estava cinza-chumbo no horizonte, o que dava ao turquesa do mar um tom especial e o verde da terra dos “muitos cocos” cintilava. Corremos com o equipamento e começamos a chamar todas as mulheres.

 

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Revolução do Biquini

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2º dia em Majuro - Republic of Marshall Island

 

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Em nosso 2º dia no Atol de Majuro fomos a Laura Beach no extremo sul da ilha - uma ponta de areia, onde vive um família que toma conta do local. Areia branca de coral, árvores retorcidas e carcomidas pelo vento, mar turquesa, plantas exóticas, crianças livres, brincando na água, agora me sinto na Micronésia...

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1º dia em Majuro - Republic of Marshall Islands

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Em sentido horário: foto 01 - nosso atual chão são as nuvens ; foto 02 - Michelini Bernadini, a primeira mulher a usar a Bikini em 46 na França, criação do engenheiro Louis Réard; foto.03 - voando sobre o pacífico em direção ao Atol de Majuro (Rep. of Marshall Islands).

Chegamos em Majuro Atol, um pequeno anel de recifes de coral, boiando no meio do Oceano Pacífico, O país: Republic of Marshall Islands. Um complexo de pequenas ilhas e atóis que compõe essa república esquecida no meio da Micronésia. Atol de Bikini é o motivo de nossa visita, nosso filme veio saber um pouco mais sobre a etimologia dessa palavra que significa: “Terra dos muitos cocos”. Dizem que quando chegaram aqui alguns polinésios, remando suas canoas, avistaram essa linha de coqueirais no horizonte e, desde então, passaram a depender dessa fruta para tudo: comer, produzir óleo e utilizar sua folhas e fibras para vestuário, cestaria, telhados etc. Desde 1946, quando os americanos decidiram fazer os testes nucleares por aqui a população de Bikini foi exilada em ilhas vizinhas e até hoje não pode retornar para sua terra natal e a “Terra dos muitos cocos” permanece isolada por sua radioatividade e seus cocos tem uma quantidade de Césio que não permite mais que seus moradores consuma a fruta. A única atividade existente no Atol de Bikini era o mergulho profundo a 50, 60 metros, para visitar as dezenas de navios, submarinos e aviões que foram deixados pelos americanos para a realização dos testes e que até hoje permanecem intactos no fundo do mar.

Coincidentemente, no dia em que chegamos aqui, as atividades no Atol foram suspensas por problemas com o único hidroavião que fazia esse trajeto e que definitivamente não iria mais operar. Isso deixa o nosso entrevistado/personagem: o americano Jack Niedenthal profundamente frustrado depois de 12 anos de luta pelas causas dos Bikinians, que até hoje não podem voltar para a ilha. Mergulhador, casado com uma habitante de Bikini, pai de 6 filhos, Jack nos conta que o mergulho hoje representava a única porta de entrada no Atol e que o fim das operações deixa mais uma vez Bikini isolado de de seus habitantes e do mundo.

Nossa equipe, que é composta dos alemães Albert Knetchel (diretor/roteirista), Sylvestre Campe (diretor de fotografia) e do carioca Pedro Sá (operador de áudio), já está com a bunda calejada de tantas horas de voo e a primeira coisa que fizemos quando chegamos por aqui foi comer um belo atum fresco com saussa de limão e arroz que nos deixou extasiados depois de tantas horas e refeições de avião, viajamos com 12 malas muito pesadas com todo nosso equipamento HD, iluminação, microfones, baterias, acessórios e penduricalhos que uma equipe de documentário deve arrastar consigo, sem contar com a câmera e nossas malas de mão com equipamentos mais frágeis que sempre vão dentro da aeronave conosco e que provocam curiosidade em todas as duanas que passamos, onde sempre somos revistados e desmontados nos mínimos detalhes.

Essa é minha primeira experiência participando da equipe de direção de um documentário internacional, portanto fico sempre muito atento a todos os detalhes do processo de criação e execução de um projeto dessa dimensão, participando ao máximo, aprendendo muito com a experiência do Albert e do Sylvestre, muito envolvido com todos os detalhes. Estou realmente muito feliz.

Ejie, pequena ilha próxima a Majuro é onde vive a maioria dos habitantes exilados de Bikini, em nossas primeiras horas no Atol fomos visitar essa ilha e ver como vivem os ex-moradores do Paraíso. Deve ser realmente difícil saber que os seus ancestrais viviam em um atol maravilhoso e que hoje sua população está despatriada e espalhada pelas ilhas Marshall.

 

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Revolução do Biquini

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A Partida

Depois de muitas e muitas horas voando ou esperando em aeroportos pelo mundo, entre dormidas tortas em cadeiras apertadas, hotéis de carpetes de flores na parede,  aqui estamos finalmente no Atol de Majuro/Marshall Islands - Micronésia.

Só de avião foram 28 horas, sem contar com 7 horas esperando em NY e uma dormida rápida em Honolulu no Havaí, com direito a uma apresentação de hula-hula para alemão ver.

Com certeza foi a viagem mais longa que já fiz na minha vida. Agora entendo os americanos que escolheram aqui para os testes nucleares entre e 1946 e 1958, onde mais de 60 bombas atômicas foram explodidas no Paraíso. Esse deve ser o lugar mais longe de tudo e de todos em todo o planeta Terra. Hoje, não muito longe daqui, o Atol de Bikini, sobrevive intacto, com pouco mais de 30 habitantes. Os seus herdeiros estão espalhados pelas Ilhas Marshall.

 

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